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      exposição barbeito




“Barbeito é o primeiro lavor de uma terra; é o acto de sulcar pela primeira vez o solo. Pousio é o deixar um campo cultivado em descanso.”

Nesta exposição inaugural do programa de residências artísticas Pousio, reúne-se o trabalho dos seis artistas que participaram na sua primeira edição, Duarte Bénard da Costa, João Massano, José Sottomayor, Mafalda d’Oliveira Martins, Maria Luísa Capela e Martim Mesquita Guimarães.

Este programa, que promove o desenvolvimento de propostas artísticas multidisciplinares em diferentes regiões do país, pretende reanimar as comunidades em que se insere, através do envolvimento directo com os contextos locais. Seguindo esse eixo matricial, os artistas instalaram-se em residência durante duas semanas na aldeia de Cachopo, em Tavira. De tendência demográfica recessiva e um acentuado envelhecimento populacional, esta localidade encontra-se actualmente numa situação de relativo isolamento e de escasso movimento cultural. Os artistas procuraram então contribuir para a sua dinamização, propondo novos caminhos artísticos através das trocas culturais que efectuaram com a população residente.

O trabalho artístico colaborativo apresenta-se assim, nesta exposição, como uma ferramenta para reactivar e dar espaço aos lugares em repouso. Partindo das dinâmicas criativas e das relações interpessoais estabelecidas em Cachopo, os artistas trazem renovados entendimentos e sentidos comuns construídos com a comunidade local sobre o trabalho, a terra, a solidão, as migrações e a práctica artística. Procura-se, deste modo, inserir a arte no domínio da experiência, explorando as suas vivências colectivas e subjectividades múltiplas num mesmo plano.

Por lhe terem dado continuidade nas semanas que se seguiram à residência, abre-se agora o seu processo criativo a um outro contexto e a uma outra comunidade. A Casa- Museu Medeiros e Almeida acolhe o Pousio, na expectativa de que o barbeito de Cachopo seja propiciador de encontros e de novos lavores.